• 21 Ago 2020
  • Antonio

Presidente da AMPE aborda em artigo as vacinas para covid 19


Texto originalmente postado no inforamtivo nº 13 do Comitê Estadual de Saúde de Pernambuco que pode ser baixado aqui

O mundo assiste atônito, nestes primeiros meses de 2020, a mais grave crise em saúde nos últimos cem anos, causada por um novo vírus, o SARSCoV-2. A falta de um tratamento específico, validado com estudos bem controlados, fez com que as vacinas fossem a esperança mais promissora e ansiosamente esperadas. Uma vacina eficaz será crucial para controlar a pandemia. A escala do impacto humanitário e econômico da pandemia de COVID-19 impulsionou a utilização de novas plataformas de tecnologia de vacina para acelerar as pesquisas, e a primeira candidata a uma vacina entrou em testes clínicos em humanos em meados de março com uma rapidez sem precedentes.

Pela velocidade das pesquisas há possibilidade de que as vacinas possam estar disponíveis, de forma emergencial, até o início de 2021. Caso isto realmente aconteça, será o programa de desenvolvimento de vacinas mais rápido já visto na história. Representará uma mudança fundamental na trajetória tradicional de liberação de vacinas, que levam em média mais de 10 anos para sua implementação. Além disso, novos paradigmas serão necessários, envolvendo adaptações nas fases de desenvolvimento, processos regulatórios e capacidade de fabricação em larga escala.

Os cientistas estão cada vez mais otimistas de que uma vacina possa ser produzida em tempo recorde. Mas fabricá-la e distribuí-la são outros enormes desafios. Outro aspecto, que não deve ser negligenciado, são as possíveis barreiras em se alcançar adequadas coberturas vacinais, como o decréscimo no número de casos quando do licenciamento de uma vacina, a hesitação em receber um produto novo, além da falta de confiança em autoridades políticas e sanitárias de muitos países.

Estudos de fase 3 no BRASIL

A contagem agora é regressiva. O Instituto Butantan de São Paulo, anunciou, que mais Centros de Pesquisa vão iniciar a testagem da vacina contra coronavírus em voluntários. Ao todo, 12 núcleos científicos foram selecionados para a realização da terceira e última fase de ensaios clínicos do imunizante que é desenvolvido pelo Instituto em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac Life Science.

A testagem deve ser concluída até novembro, com cerca de 9 mil voluntários. A Sinovac forneceu ao Butantan as doses da vacina para a realização dos testes clínicos de fase III em voluntários no Brasil, com o objetivo de demonstrar sua eficácia e segurança. As fases 1 e 2 de ensaios clínicos foram realizadas com cerca de 700 voluntários na China com bons resultados preliminares. Antes, o modelo experimental aplicado em macacos apresentou resultados expressivos em termos de resposta imune contra o coronavírus.

Vacina de OXFORD - Desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, pretende realizar testes em 5 mil voluntários no Brasil, esta é mais uma vacina em caminho promissor. Caso os estudos sejam finalizados com sucesso, a distribuição pode iniciar em dezembro deste ano, segundo informa membro do departamento de Life Sciences and Healthcare, da Embaixada Britânica no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é responsável por essa aprovação. As negociações entre a agência brasileira e a entidade regulatória inglesa segue avançada, sinalizando que o processo de registro da vacina no país não será demorado e que o Brasil pode contar com uma vacina contra a Covid-19 ainda em 2020. Fatores que podem retardar o processo de produção e distribuição da vacina para garantir que ela chegue a todos incluem escassez de suprimentos de materiais de saúde e a dificuldade de organização logística.

Vacina SPUTINIK V - No dia 11 de agosto, o Governo da Rússiadivulgou a aprovação de uma vacina contra Coronavirus, cerca de 2 (dois ) meses após o início dos testes em humanos. A vacina foi desenvolvida pelo Centro Nacional de Pesquisa epidemiológica e microbiológica Gamaleya, havendo citação de método similar aos utilizados pela Universidade de Oxford e pela Farmacêutica chinesa Cansino, recebendo o nome de Sputinik V, já registrada no Ministério da Saúde da Rússia.

O Governo do Paraná anunciou convenio, através do Instituto de Tecnologia com o Governo da Rússia e também produzirá doses da vacina. A fase 3, envolve duas mil pessoas, distribuídas na Rússia, Emirados Árabes, Arábia Saudita, Brasil e México. A previsão inicial é de que esteja disponível no nosso País, no segundo semestre de 2021, frente ao o processo dinâmico e com base na ciência, a comunidade científica mundial de forma incessante, seguirá esta causa, que é de toda humanidade

Neste momento, pesquisadores ao redor do mundo, desenvolvem mais de 166 vacinas para o coronavírus, das quais 30 estão em fase de testes clínicos, mas apenas

6 estão na última fase de testes, a fase 3, conforme consta em Relatório da Organização Mundial da Saúde, atualizado em 10 de agosto, e até o momento, os Países que chagaram à última etapa do desenvolvimento da vacina, são Reino Unido, China, Estados Unidos e Alemanha, com as seguintes vacinas: Sinovac (China), Instituto Biológico de Wuhan/Sinopharm (China), Instituto Biológico de Pequim/ Sinopharm (China), Oxford/ AstraZeneca (Reino Unido), Moderna/ NIAD (EUA) e Biont/FOSUN Pharma/ Pfizer (Alemanha).

Certamente, no caso da Covid-19, as vacinas devem ser distribuídas prioritariamente a grupos de risco, profissionais de saúde, até chegar ao restante da população. Enquanto ela não vem com data marcada, deve-se continuar com todos os cuidados sanitários e seguir as recomendações da evitando aglomerações e exposição desnecessária, o distanciamento social e o uso de máscaras.

Não restam dúvidas que será necessária uma forte coordenação e cooperação internacional entre pesquisadores, reguladores, formuladores de políticas, financiadores, órgãos de saúde pública e governos para garantir que as vacinas promissoras possam ser fabricadas em quantidades suficientes e fornecidas equitativamente a todas as áreas afetadas, particularmente em países pobres.

Garantir que as vacinas sejam seguras e eficazes exige muitos testes, planejamento e execução cuidadosos. Todos nós somos vulneráveis ao novo coronavírus, com exceção (provavelmente) dos que já contraíram a doença. Cada pessoa pode precisar de mais de uma dose de uma vacina para receber imunidade protetora, assim poderão ser necessárias mais de 15 bilhões de doses para que o mundo esteja protegido da COVID-19.

Helena Carneiro Leão

Presidente da Associação Médica de Pernambuco

Conselheira Federal do CFM