
A Associação Médica de Pernambuco lamenta o falecimento de Zeferino de Jesus Barbosa Rocha, reconhecido reconhecido nome da psicanálise pernambucana, com Mestrado em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana, PUG, Itália, e Doutorado em Psicologia pela Université de Paris X, Nanterre, Paris X, França.
Atuou profissionalmente na FAFIRE, UFPE e UNICAP, e até mesmo fora do Brasil no Laboratoire de Psychologie Clinique - Université René Descartes - Paris, França.
Participou como autor ou colaborador em 11 livros, sendo um dos mais importantes, PAIXÃO, VIOLÊNCIA E SOLIDÃO. O DRAMA DE ABELARDO E HELOÍSA NO CONTEXTO CULTURAL DO SÉCULO XII.
“Dr. Zeferino Rocha, Psicólogo e Psicanalista desempenhou importante papel na Psicologia e Psicanálise de nosso Estado. Era excelente orador e tinha vários livros publicamos na área”, lamentou Dra. Jane Lemos, Psiquiatra.
“A psicanálise em Pernambuco está empobrecida com a perda de Zeferino Rocha. Conhecimento sólido, consistente e generoso na sua transmissão. Afável com aqueles que o procuravam querendo aproximar-se da arte psicanalítica. Passeava pela obra de Freud com a intimidade de quem estava a sua cabeceira. Atendeu sempre o nosso convite para participar de jornadas da Sociedade. Acompanhei seus seminários desde os meus primeiros passos na psicanálise. Tive o prazer de aprender com ele. Lamento profundamente a sua partida”, falou Dra. Mabel Cristina Psiquiatra e Psicanalista.
Outro profissional que se manifestou sobre a morte de Zeferino oi o Dr. João Alberto Carvalho:
“Desnecessário dizer do meu sentimento pela figura do eterno professor dos psicanalistas brasileiros. Mesmo que saibam vale a pena lembrar que Zeferino era teólogo, filósofo, psicólogo e psicanalista. Professor convidado da Sorbone, tinha mais de 15 livros no Brasil, todos em torno da Teoria Freudiana com plurais diálogos com outras áreas. Ecletismo jamais!
Seu último trabalho está pronto e seria lançado em 25/08, véspera do seu aniversário, na APL. Sou o honradíssimo prefaciador, aliás, segundo o próprio Zef, único até então (mas creio que há muito tempo, Luiz Andrade apresentou uma obra).
Éramos amigos e brincalhão dizia que levou décadas para conseguir convidar alguém para a função. Temia incomodar demais! Acreditem ele pensava assim, sinceramente.
Figura incomum, teria que ter sido amicíssimo de Daniel Lima, outro gênio que partiu.
Vi que há interesse pela obra dele. Parte está esgotada mas estava em negociação a republicação de, pelo menos, três títulos pela CEPE.
O último texto, sofisticada elaboração filosófica e Psicanalítica do que considerava as grandes questões da existência humana, como a dor, depressão, angústia, ilusão e desilusão entre outros, fecha com um brilhante ensaio sobre o fanatismo religioso atual. Um pensador!
Seu grande desejo nos últimos anos era publicar integralmente seu curso de introdução à obra freudiana. Parte está bem finalizada. Caberá à família decidir.
Poucos professores sérios e verdadeiros são tão generosos ao partilhar o monumental saber acumulado com alunos e orientandos. Lembro apenas de figuras como Othon Bastos, Galdino Loreto e o também excepcional Ivan Correa, que é até verbete de enciclopédia na Europa (introduziu a obra de Lacan no Brasil!). Eram amigos e foram contemporâneos em Paris.
Enfim, aproveitei para prestar minha homenagem doída mas grata pela chance de conviver por mais de 40 anos com um verdadeiro Homem!
Zeferino deixa três filhas, Ivana, intensivista do Sírio Libanês, Kátia, pediatra e Vera, arquiteta. Deixa netos também.”
O corpo de Zeferino foi velado e cremado em São Paulo.

Uma de suas principais publicações.